MONUMENTO DA LUZ

MEMORIAL COMPLETO

Optamos por utilizar a área A, atualmente um estacionamento junto à margem esquerda do rio Acaraú. O primeiro aspecto que nos atraiu foi justamente o fato de a área não estar dentro de  algum parque ou ser apenas um fragmento em um eixo viário importante - apesar de muito próxima ao conjunto arquitetônico tombado, e de edifícios com usos culturais como o Museu Madi e a Biblioteca, a área em si não possui hoje valor ambiental, urbanistico ou cultural. Assim acreditamos que inserir o monumento ali – destinando o investimento previsto a este terreno específico, será a opção que mais agregará valor e qualidade ao município.

 

Além disso, trata-se da maior área dentre as opções disponíveis, com uma paisagem marcante no entorno, uma relação direta com o rio Acaraú e fora da área de aproximação do aeroporto e portanto sem o limite de altura de 12m. Um último aspecto que consideramos muito relevante é o fato de a área estar inserida na região onde a cidade iniciou seu desenvolvimento, implantar neste núcleo o monumento que irá celebrar o centenário do eclipse de 1919, fará com que este se integre ao circuito cultural já existente e reurbanizado - complementando a rota de lazer e cultura existente e ampliando a narrativa histórica que se desfia na região.

 

UMA PRAÇA-MONUMENTO

 

A praça reproduz o céu de Sobral, o luminoso céu do Brasil, durante o eclipse. Um grande espelho d’água revestido com granito cinza, medindo 12m de diâmetro, representa a Lua se sobrepondo ao Sol – que tem sua aureola de luz representada por uma faixa de pedras de mosaico português soltas, seguidas do piso, em um círculo e faixas radiais, ambos na cor vermelho/terracota – criando um marcante contraste de cores e texturas; o frio da lua e da água, contraposto ao calor do sol e dos tons avermelhados.

 

Para registrar a importância da cidade neste marco histórico – não só pela localização, mas também pelo apoio logístico que viabilizou o sucesso da missão de demonstração da deflexão da luz e comprovação da Teoria da relatividade, a proposta preve que o conjunto dos elementos criados para ocupação do espaço se tornem um monumento de referência na paisagem, fazendo parte da vivência das pessoas com a cidade. Sua implantação e eixos foi definida de forma a tirar o melhor partido possível da paisagem local como plano de fundo, enriquecendo a paisagem sem agredi-la, marcando o olhar de quem passa, criando referência e ao mesmo tempo se mimetizando de forma leve e harmônica com o skyline de Sobral.

O que tornou o eclipse de Sobral único e especial foi a possibilidade de fotografar e medir 12 estrelas no céu diurno daquele dia histórico e é com base nisso que a proposta elege as estrelas como elementos de destaque no conjunto monumental.

 

Por trás do eclipse-espelho d’água, despontam 12 totens, com alturas variadas de 10m, 13m e 16m de altura, representando as estrelas fotografadas no dia do eclipse. As esculturas são executadas em aço e as difrentes alturas dos postes que compõem cada estrutura remetem aos feixes de luz de uma estrela - o desenho leve e trabalhado de forma desfragmentada formado pelas chapas que fazem o travamento dos postes, traz nas sombras da escultura a distorção ocorrida ao medir a localização feita durante o dia e a medição feita a noite que comprovou a deflexão.

As estrelas e o eclipse estão  1,25m mais baixos que o nível da rua, este desnível é marcado por  talude em forma de elipse, representando a distorção do tempo e do espaço sendo observado da Terra.

Considerando as elevadas temperaturas ao longo de todo o ano em Sobral, a proposta prevê o máximo de área ajardinada possível.

 

O visitante poderá circular ao redor do espelho d’água, visualizar as esculturas de perto e sentir o espaço. Para vencer o desnível entre o monumento e o acesso, foram desenhados três caminhos que partem radialmente do eclipse, fortalecendo a representação do sol, onde a paginação cresce criando os acesso ao patamar superior da  praça. O caminho central, mais longo, é uma rampa suave com inclinação de 5% e portanto atendendo a NBR 9050 de acessibilidade, e os dois caminhos laterais são escadas-rampa. Na parte mais alta de cada acesso é disposto um patamar criando um observatório, com bancos  para observação da obra, do céu e vivência da área.

 

Esse desnível criado setoriza a área em três:

  1. Área baixa: onde acontece o monumento, com a representação do eclipse e as estrelas

  2. Acessos e Taludes

  3. Patamar de acesso: onde se cria um mirante praça.

As árvores dispostas no Mirante, além de minimizar a aridez, fazem parte do conceito do projeto como uma espécie de filtro, para que as pessoas circulando na rua não consigam visualizar completamente o monumento, despertando a curiosidade e a sensação de surpresa ao caminhar para dentro da praça.

 

 Na área do Mirante foram previstos rasgos no piso para plantio de árvores que irão trazer o sombreamento para quem passa e permanece no local, criando ambientes de estar sob as copas destas árvores. Estão previstos alguns estares compostos por bancos e poltronas e também mesas para se alimentar, jogar e conviver, de forma que os usuários encontrem oportunidade para criar uma relação de afeto com o ambiente construído, o que fará com que o mesmo seja melhor mantido e preservado pela própria população.

VEGETAÇÃO

 

O paisagismo é definindo por vegetação de grande porte – a proposta prevê o plantio de árvores e palmeiras nativas com folhagem marcante, floração reluzente e frutos atrativos para os pássaros, respeitando e enriquecendo a flora e fauna locais.

 

O restante do plantio é feito de forma a criar maciços em pontos estratégicos, definindo aberturas e fechamentos, de forma que a paisagem não seja monótona para quem passe pela região. Para compor esses maciços estão previstas algumas Carnaúbas (Copernicia prunifera) – palmeira símbolo do Ceará, que se misturam em um pequeno bosque composto por Juazeiros (Ziziphus joazeiro), Pitombeiras (Talisia esculenta) e Cássias-do-nordeste (Senna spectabilis).

 

Junto às esculturas serão plantadas palmeiras nativas Coco-babão (Syagrus cearensis) que representam as outras milhares de estrelas que brilham em nosso céu e durante o dia são ofuscadas pela luz do sol. Esse conjunto de palmeiras entouceiradas cria um fundo de maior contraste e assim destaca as esculturas para quem as observa de perto, de dentro da praça.

Optamos por não utilizar arbustos e forrações, prevendo grandes áreas gramadas, proporcionando para as pessoas oportunidades de maior reconexão com a natureza em um jardim feito para pisar e não para observar. A expectativa é que a população utilize o espaço deixado abaixo das árvores com grama, para se sentar, contemplar, fazer piqueniques, brincar.

 

ILUMINAÇÃO

A poluição luminosa é um mal silencioso que vem ameaçando a saúde de nosso planeta. Diversos estudos já identificaram prejuízos do excesso de luz à saúde dos animais e até mesmo no metabolismo das plantas.

Diante disso e considerando o agravante de estarmos em uma área à beira do rio Acaraú propomos que não seja utilizado nenhum tipo de “up light” – evitando o desperdício luminoso e a poluição luminosa. Previmos a instalação de postes mais baixos no trecho alto da praça (mirante e circulação até os acessos) e no topo dos taludes, postes mais altos, que possam prover boa luminosidade para as rampas de acesso e área do eclipse, mas sempre jogando luz de cima para baixo.

Para as esculturas previmos projetores instalados ao longo dos totens, jogando luz de cima para baixo, sendo em maior quantidade na base e menor quantidade no topo – de forma que a luz fique mais fraca nas pontas, porém, mais uma vez – sem projetar luz para cima, para o céu.

 

EDUCAÇÃO

A natureza, e a interação da humanidade com a mesma, são uma chave muito importante do evento centenário. Com a tecnologia e as rotinas cada vez mais atribuladas temos nos desconectado da natureza e nos distanciado desse aspecto da ciência. Nossa proposta de jardim para pisar e não observar, vem com o intuito de questionar e provocar uma mudança nessa realidade.

Ao mesmo tempo a tecnologia atual não deixa de ser uma ferramenta indispensável e ao celebrar o centenário do eclipse propomos que o monumento seja um território de acessibilidade ao conhecimento digital.

Previmos infraestrutura para instalação de internet wi-fi gratuita, e instalação de comunicação visual contendo códigos QR (Quick Response) que direcionarão para portais digitais de conhecimento onde todos os elementos da Praça Monumento possam ser explorados. Desde a proposta-conceito do monumento, bem como o eclipse de Sobral, a Teoria da Relatividade, a história da Cidade, informações sobre as espécies vegetais utilizadas, a fauna presente e/ou pré-existente no local, entre outros temas que possam ser relevantes em pesquisa a ser desenvolvida junto á Secretaria de educação do Município.

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