CALÇADÃO DE OSASCO

CALÇADÃO DE OSASCO
CALÇADÃO DA RUA ANTONIO AGÚ | OSASCO | SP
 

TRAÇOS DE TERRA E URUCUM

SUPERANDO OS DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO DE UMA CIDADE
Soluções baseadas na natureza,  valorização e bem estar para população
No Brasil, a maioria das cidades ergueram-se as margens dos rios, que além de ofertarem água e alimento, permitem um maior controle territorial e circulação de pessoas - porém o crescimento urbano deu-se desassociado da importância da preservação e permanência das paisagens naturais hídricas. Margens e várzeas de córregos e rios  foram ocupadas e impemeabilizadas - porém os processos naturais de períodos de cheias não deixam de  acontecer. Quando eventos pluviométricos intensos não encontram mais áreas e vegetações que eram reguladoras do ecossistema, passam a produzir efeitos indesejáveis. São os chamados efeitos ambientais negativos decorrentes da urbanização, devido a crescente produção de poluentes, destinação de resíduos e a impermeabilização do solo.
A cidade de Osasco hoje, enfrenta sérios desafios no manejo de seus recursos hídricos, sendo cortada pelo Rio Tietê e seus bairros localizados entre seus afluentes: Córrego Baronesa, Córrego Bussocaba, Córrego da Divisa, Córrego Continental e Córrego Areia.
A área de intervenção fica a cerca de 600 metros do Rio Tietê, entre dois de seus afluentes - sendo um deles distante menos de 250 metros.  Somado a este contexto hídrico, temos a importância  sócio econômica e histórica da região, o que julgamos tornar indispensável que, ao realizar qualquer proposta de intervenção na área, se considere o manejo de águas - o que poderia inclusive ser um ponto de partida para criação de uma rede de infraestrutura verde no município, recuperando a paisagem local e solucionando os constantes problemas de inundação da região.
É possível incrementar a natureza na área urbana sem excluir o desenvolvimento urbano. Ao inserir elementos de infraestrutura verde na solução dos espaços,  conseguimos garantir área verde para usufruto da população e realizar o manejo das água das chuvas na fonte, proporcionando melhora no clima e ajudando na recuperação da biodiversidade da região. Com este conceito, o partido resultante é uma grande praça parcialmente coberta, com espaços de convivência, trazendo valorização imobiliária e atrativo comercial em contato com a natureza. Os mesmos jardins que transformam a região estética e economicamente, também funcionam como uma proteção contra os desastres e enchentes.
Em várias cidades do mundo há exemplos de soluções como esta, inserindo no projeto uma recuperação paisagística urbana, tecendo um planejamento da paisagem que recupera e trata a cidade. Solucionar os problemas de cheia de forma correta é assegurar o desenvolvimento sem a perda do ecossistema, o que é essencial para nossa sobrevivência. O projeto buscou soluções associadas à natureza, respeitando e observando sua harmonia, replicando seu funcionamento de forma biomimética e bem sucedida.

Concurso Público para requalificação do Calçadão da Rua Antonio Agú em Osasco - SP

RESGATAR O PASSADO PARA  REDESENHAR O PRESENTE
Inúmeras tribos Tupi Guarani habitavam a região, dando origem ao primeiro nome da cidade: Vila Quitaúna.  Para valorização e resgate da historia da cidade como um todo, não se pode deixar pra trás este período.
O ponto de partida conceitual foi a decisão de valorizar com igual peso dois atores do passado deste território; trazendo como inspiração a vida e arte dos índios e o papel da Olaria do italiano Sr. Antônio Giuseppe Agú, no reconhecimento e crescimento da cidade.
Os Índios utilizam a pintura corporal como uma manifestação cultural, sendo o meio de expressão ligado aos diversos manifestos culturais de sua sociedade, considerada a expressão artística mais intensa dos índios.
Para retratar esta representação de tramas e traços corporais, como estratégia criativa e de inspiração, projetamos uma cobertura em estrutura metálica leve pré fabricada, que retratará estas formas através de grandes brises, que irão suavizar a incidência direta de radiação solar na área, evitando a manifestação de um calor excessivo - sem impedir a passagem da luz.
Nas áreas com canteiros de jardim a cobertura será interrompida, criando alguns trechos descobertos, para absorção das águas de chuva, desenvolvimento da vegetação proposta e controle térmico do calçadão.
Os brises criarão sombras no piso, marcando a passagem pelo local, onde as pessoas poderão perceber e até sentir os desenhos na pele.
O papel fundamental da Olaria  será retratado no revestimento de parte dos pisos propostos, trazendo a cerâmica em representação de faixas e caminhos de condução até a área da estação.  Representando de forma construída e concreta, esses caminhos que a cidade percorreu para seu desenvolvimento - marcando a importância da Olaria para a estação e sua expansão como cidade.

O PAPEL DA VEGETAÇÃO NA RESIGNIFICAÇÃO DO ESPAÇO
Os coqueiros existentes na área, já marcam o eixo de circulação. Sendo muito bem aceitos pela população, que entendem seu papel como elemento de  harmonização do ambiente. Trazendo um pequeno contato entre o homem e a natureza. Marcando a paisagem e suavizando o horizonte do entorno tão construído.
Para ampliar essa troca e fortalecer esta nova fase de ocupação, a vegetação acontecerá de forma mais marcante, em uma escala ao alcance do olhar.  Trazendo para perto das pessoas essa vegetação, criando espaços de convivência mais confortáveis, onde as pessoas poderão permanecer no local, criando uma grande praça coberta. Um centro comercial sem a sensação de confinamento, com todos os benefícios de estar em uma área aberta de um parque.
O jardim foi desenhado a partir da dinâmica da água da chuva, seguindo princípios da biomimética e do design baseado na natureza. Através de uma rede de espaços vegetados em forma de biovaletas e canteiros pluviais será realizado o manejo das águas de chuva das áreas impermeabilizadas da bacia hidrográfica, diminuindo a velocidade de escoamento da água da chuva e remediando a poluição destas águas a partir de mecanismos naturais associados a planta e ao solo como elementos filtrantes
Foram selecionados árvores e arbustos adequados para este tipo de infraestrutura verde, que irão se adaptar e manter-se independentemente da  transição das intempéries do clima em solos temporariamente ou permanentemente úmidos. As plantas selecionadas possuem altas taxas de evapotranspiração e são eficientes fitorremediadoras - fazendo com que a água que chega aos canteiros carregada de poluentes urbanos, chegue até os canais naturais (córregos e rios) com a qualidade melhorada.


 

PONTO DE ENCONTRO
Restruturação do espaço para melhoria dos fluxos, organização  e setorização das áreas
A área de chegada a estação de Osasco encontra-se hoje bastante caótica, com a apropriação do espaço pelo comércio e  população de forma tumultuada.   
Esta área é de extrema importância pra cidade, sendo a chegada e saída de grande parte da população e consumidores deste eixo comercial, e mesmo desestruturada funciona como ponto de encontro - sendo fundamental  um melhor planejamento.  
Para melhor aproveitamento do espaço existente, estamos propondo a relocação de algumas bancas/lojas, que hoje  encontram-se implantadas de forma que barram a circulação e visão do acesso a área.
A nova configuração cria dois eixos de circulação, um que leva direto ao calçadão e outro que irá acontecer permeando as barracas e áreas de convivências criadas para atender os consumidores.
A área hoje se encontra praticamente toda pavimentada, sendo extremamente árida em dias de verão, tornando-se incomoda a permanência e passagem pelo local.
Fortalecendo a proposta de implantação e conservação do meio ambiente, como solução das enchentes e melhoria de vida nas cidades; seguimos com o mesmo conceito de infraestrutura verde e canteiros de pluviais para realizar o manejo das águas pluviais.  
Para se beneficiar da sombra e do bem estar da vegetação proposta, o desenho dos canteiros configura as áreas de convivência deste trecho, encaixando as barracas.